A Viagem Imóvel

Nem tudo foi azul na festa do Oscar

Por Luiz Vita em 08/03/2010

No anúncio do prêmio de roteiro, ontem à noite, na cerimônia de entrega do Oscar, a atriz que anunciou o nome do vencedor, leu um texto que tinha tudo para parecer uma brincadeira, daquelas piadas que só americanos riem. Nele, os roteiristas diziam que sonhavam com o momento em que seus diálogos não seriam mais  interpretados por gente de carne e osso. Supostamente, eles destroem as "pérolas" que eles escrevem. Os roteiristas, na verdade, deveriam agradecer aos atores, por mais canastrões que sejam, pois os seres criados digitalmente para substituí-los, estão levando seus textos para o buraco.

É preferível Marlon Brando com a boca cheia de algodão que os seres azuis que ajudaram James Cameron a encher seu cofre de dinheiro. Como no futebol, fez-se justiça aos bons jogadores e aos bons técnicos, e os azuizinhos pernas-de-pau foram pro chuveiro mais cedo, com apenas três estatuetas técnicas.

Seria uma grande injustiça se Cameron ganhasse os prêmios de melhor diretor e de melhor filme com o raso Avatar. Felizmente, para o bem do cinema e daqueles que escrevem para o cinema, a zebra ficou longe do Teatro Kodak. Foi a vitória do homem sobre o computador.