Letras e fotogramas

A Pureza do novo romance de Jonathan Franzen

Por Alysson Oliveira em 15/10/2015
Em PURITY, Jonathan Franzen exibe o que há de melhor e pior em sua literatura. Como já se percebera em The Corrections e Freedom, ele é obcecado em escrever The Great American Novel – mas como já disse genialmente Frank Norris: “the Great American Novel is not extinct like the dodo, but mythical like the hippogriff.” E para ele, essa criatura mítica se parece com um gigantesco romance realista do século XIX. Não à toa há sempre algo meio empoeirado em seus livros – por mais que ele situe esse no nosso presente, com vazamentos de informação na internet, denúncias e um dublê de Assange. Há momentos que beiram a genialidade – especialmente nos diálogos com frases ácidas, respostas rápidas – mas, como é comum em seus livros, falta um editor com colhões para cortar, para tirar os excessos.
 
A questão central para o autor – e só agora percebo com bastante clareza – são teias familiares (mais do que laços de família). São as relações que se estabelecem e pesam na formação e ação de suas personagens – especialmente, aqui, Purity ‘Pip’ Tyler, a protagonista que some durante meia parte do livro, mas que serve como liga para todas as tramas. É seu livro mais bem resolvido em seu achatamento da história ao fazer uma ponte entre o desmantelamento da Alemanha comunista e a era das informações vazadas digitalmente. Mas também acho que dá para notar as gotas de suor do esforço de Franzen lapidando o texto.
 
Ainda assim – apesar de todas as falhas – é um livro que se lê com certo prazer. Creio que isso está exatamente ligado a essa prosa realista que flui fácil, e mantém as páginas correndo. Curiosamente, a personagem central é a menos interessante, menos complexa. Daí é de se pensar que o título se refira mais à pureza das ações – boas ou ruins das personagens – do que à garota.