Letras e fotogramas

Salve Jorge

Por Alysson Oliveira em 30/09/2011
Com o lançamento de Capitães da Areia, na próxima semana, começam as comemorações do centenário do escritor baiano Jorge Amado, nascido em Itabuna em 10 de agosto e morto em 2001. Essa é a segunda adaptação do romance lançado em 1937.  A primeira foi em 1971, pelo americano Hall Bartlett, falada em inglês, que ficou bastante popular na União Soviética. O novo filme é dirigido por Cecília Amado – neta do autor.
 
A obra de Jorge Amado, um dos autores brasileiros mais populares no Brasil e no exterior, no entanto, se mostra mais bem traduzida para a televisão do que para o cinema. Acredito que isso se deva ao fato de seus livros trazerem muita, mas muita mesmo, trama e personagens. Transformá-los em roteiro é ter de abrir mão do colorido e do painel gigantesco que o escritor pinta do Brasil – especialmente da Bahia. Um amigo, professor no Departamento de Letras Vernáculas, na Universidade Federal da Bahia, e nascido e criado em Salvador, comparou certa vez Jorge Amado a Charles Dickens – e acho que está coberto de razão.
 
Os dois escritores, cada um a seu modo, escreveram livros volumosos e populares, e, mais importante, que retratam uma época, um lugar.  Na obra de ambos, também, há muitos personagens marcantes – todos muito bem construídos e delineados. Dickens, com seus pobres garotos de rua e/ou órfãos, e Jorge, com suas mulheres exuberantes, cheias de amor para dar.
 
Por isso mesmo, só uma vez, com Dona Flor, o cinema deu conta de fazer justiça à obra do escritor. Tieta e Gabriela se saíram muito melhor no formato de novela que, com sua duração, é capaz de englobar a complexidade dos personagens que vão sendo delineados nas centenas de páginas dos romances – Tieta tem em torno de 600; Gabriela, um pouco menos, 400. As duas novelas renderam cenas antológicas – como a volta de Tieta a Santana do Agreste ou quando ela arranca a peruca da irmã Perpétua, e Gabriela subindo num telhado para resgatar uma pipa.
 
Especula-se um remake da novela Gabriela para o ano que vem, que poderia trazer Juliana Paes no papel-título. Mas, acho que Nanda Costa – recentemente premiada em Paulínia por seu trabalho excepcional por A Febre do Rato – tem mais o perfil e faria um grande trabalho de reinvenção de Gabriela, uma vez que a figura de Sônia Braga ainda é muito forte na lembrança de todo mundo.