Celulóide Digital

Meu tipo de princesa

Por Neusa Barbosa em 29/12/2016
Carrie Fisher e sua mãe, Debbie Reynolds, com diferença de um dia. Este 2016 não cansa de nos surpreender... para pior.
 
Mas, em honra dessas duas lendas femininas, melhor justiça lhes faremos ao lembrar o quanto elas significam para a imagem das mulheres. As duas tinham 19 anos quando viveram os papeis que definiram suas carreiras: a princesa Leia Organa, para Carrie em Star Wars; e a atriz Kathy Selden, para Reynolds, em Cantando na Chuva.
 
Pode-se dizer que, de algum modo, Debbie passou o bastão a Carrie no sentido de não se contentar em parecer meramente boazinha e bem-comportada. E Carrie, franca e desbocada, encarnou na tela uma princesa que não se acanhava de usar uma arma e cuja cena preferida na saga era justamente aquela em que ela rompe sua escravidão, obrigada a vestir um biquininho, liquidando o vilão Jabba the Hutt, em O Retorno do Jedi.
 
Sempre nos lembraremos dela também como a impagável mulher misteriosa que atormenta, cheia de razão, John Belushi em Os irmãos cara-de-pau; como a coadjuvante espirituosa que rouba a cena em suas participações em Hannah e suas irmãs e Harry e Sally; e ainda como a frasista implacável, em suas participações na TV (como Rosemary Howard na série 30 Rock e no especial Wishful Drinking) e seus livros, em que fazia picadinho de suas memórias pessoais, de seus problemas de saúde mental e com drogas, suas relações familiares e com os homens de sua vida com um humor fino e honestidade cortante.
 
Bela herança você recebeu destas duas, cara Billie Lourd – por isso mesmo imagino como deve ser intolerável hoje sua dor. Faça justiça a essa sua linhagem, Billie. Na era Trump que em breve se inicia, seu país certamente precisará muito!. Ainda bem que Carrie e Debbie não vão ter que aturar isso...

Pra falar de quem chegou em 2016

Por Neusa Barbosa em 27/12/2016
Bom, o ano (sinistro!) está terminando. E não quero falar só de quem partiu – porque 2016 foi particularmente cruel, levando Ettore Scola, Jacques Rivette, Abbas Kiarostami, Ronit Elkabetz e outros.
 
Também é bom falar de quem chegou no cinema brasileiro, diretores e diretoras de primeira viagem cujos trabalhos chegaram nas telas com força. Caso de Anita Rocha da Silveira, com um drama social com pegada de ficção científica cheio de personalidade (Mate-me por favor); Juliana Rojas, em sua primeira direção solo no saboroso musical ambientado num cemitério, Sinfonia da necrópole, que põe em questão a especulação imobiliária; Aly Muritiba, arrebentando em sua primeira ficção, Para minha amada morta; André Novais Oliveira, mantendo a pegada criativa de seus curtas na narrativa de seu primeiro longa, Ela volta na quinta; e Marina Person, esbanjando honestidade em Califórnia, seu primeiro longa de ficção, segundo da carreira.  
 
Com certeza, são todos trabalhos para figurar na lista dos melhores do ano, ao lado de Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, Ausência, de Chico Teixeira, Boi Neon, de Gabriel Mascaro – todos segundos longas de diretores maduros (no caso de Mascaro, segunda ficção) -, Mãe só há uma, de Anna Muylaert, Campo Grande, de Sandra Kogut, Big Jato, de Cláudio Assis, e Trago Comigo, de Tata Amaral.  
 
Pelo menos na arte, 2016 não deu perda total pro Brasil. Muito pelo contrário!!!