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O que é que os Gonzagas têm

Por Neusa Barbosa em 05/11/2012
Breno Silveira é um diretor peculiar no cinema brasileiro. Adepto do melodrama, não tem vergonha de fazer chorar no cinema, de preferência, com uma história familiar, embalada em música popular.
 
Deu muito certo no filme de estreia, 2 Filhos de Francisco, um dos maiores sucessos da história do cinema nacional recente. Espera-se que a trajetória se repita com Gonzaga – De Pai pra Filho, que tem todos os méritos para isso.
 
Prefiro muito Gonzaga.. a 2 Filhos... e isso tem tudo a ver não só com a história, como com a música. Gonzaga me emociona mais, porque é mais a trilha sonora da minha vida, especialmente Gonzaguinha. Mas, até pelo filme, pude sentir o quanto Luiz Gonzaga é uma das matrizes fundamentais da música brasileira, um clássico eterno.
 
O casting do filme é perfeito. Todos os atores que interpretam Gonzagão ao longo da história são a cara dele, têm o seu carisma e simpatia – é uma surpresa saber que Chambinho do Acordeon, que o interpreta dos 25 aos 50 anos, é um estreante. Mérito dele e da direção.
 
Júlio Andrade não é surpresa. Ator revelado em Cão sem Dono e Hotel Atlântico, ele só precisou arrepiar o cabelo para se aproximar da energia candente de Gonzaguinha, sintonizando com brilho a sua ira santa e criativa.
 
A história tumultuada desse pai e desse filho que são estrelas máximas da MPB encontrou um filme honesto, forte e à sua altura. E a música que ele carrega é da melhor qualidade. Tomara que o público o descubra na medida que ele merece. Esse filme é muito do que o Brasil tem de bom.