Celulóide Digital

Veneza é uma festa...

Por Neusa Barbosa em 26/08/2010
Passou Paulínia, passou Gramado, já vai começar Veneza. A temporada dos festivais se acelera muito no segundo semestre. Mal dá tempo de respirar. A gente gosta, mas também cansa!
 
Veneza começa já na próxima quarta (1-9), com todo jeito de que pegou uma parte dos filmes que não ficaram prontos a tempo para Cannes – que, em maio, teve uma de suas edições mais pálidas dos últimos anos. Nesta safra veneziana, aparecem muitas novidades norte-americanas – e acho que, há muito tempo, a seleção yankee não andava tão animadora. Vai ter novos de Sofia Coppola, Julian Schnabel, Robert Rodriguez, Monte Hellman, Vincent Gallo (oops, que será que ele vai aprontar desta vez?), Martin Scorsese, Kelly Reichardt...Enfim, parece que, no cinema, a crise já está passando por lá.
 
Como sempre, a seleção de Veneza, ainda mais sob a gestão do seu diretor suíço Marco Müller, esnoba olimpicamente os latino-americanos. Mais uma vez, um único filme, o chileno Post Mortem, de Pablo Larraín (diretor do ótimo Tony Manero), representa o continente, na competição. O Brasil só vai de curta na mostra Horizontes, O mundo é belo, de Luiz Pretti, além da coprodução com a Espanha, Lope, de Andrucha Waddington. Convenhamos, é representante de menos para esta parte do mundo, considerando a grande produção brasileira e não só, a argentina, a mexicana, a uruguaia (o pequeno país vizinho está em alta ultimamente)...
 
A Europa comparece em peso na caça ao Leão de Ouro, com nomes notáveis, como Jerzy Skolimowski, Tom Tykwer (que alguns esperam que se “redima” de algumas superproduções comercialoides, como Trama Internacional), François Ozon, Alex de la Iglesia.
 
Os orientais, menina dos olhos de Marco Müller (ele até fala chinês), este ano estão bem pouco representados – será que a produção por lá sentiu alguma crise? Em todo caso, John Woo vai passar no festival do Lido para pegar seu Leão de Ouro de carreira e estarão competindo dois filmes japoneses (um de Takashi Miike, outro do vietnamita Tran Anh Hung) e um chinês, do ás de ação de Hong Kong, Tsui Hark.
 
As inúmeras mostras paralelas vão enlouquecer os pobres jornalistas que lá estarão (eu inclusive), porque não vai dar tempo de ver quase nada das suas grandes atrações. Será o caso do pouco visto The Last Movie, filme de 1971 de Dennis Hopper (que morreu em maio); o novo de Marco Bellocchio (Sorelle Mai); o documentário de Scorsese sobre Elia Kazan, o colega que colaborou com a famigerada comissão McCarthy (A letter to Elia); toda a seção retrospectiva da comédia italiana (1910-1988)... Por mim, eu ficava só nessa última...