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Cannes faz silêncio pelas vítimas de Manchester

Por Neusa Barbosa em 23/05/2017
Cannes fez um minuto de silêncio pelas vítimas do atentado de Manchester hoje (23-5). Mais uma vez, o maior festival do mundo sintonizou com a política e o mundo ao redor, manifestando a vocação intrínseca dos palcos da arte, de todas as artes, para ser caixa de ressonância do mundo.
 
Para isso, foi divulgada uma nota de solidariedade em nome da direção do festival:
 
”O Festival de Cannes vem participar seu espanto, indignação e enorme tristeza na sequência de um atentado do qual foram vítimas o público e a cidade de Manchester na noite de ontem.
Mais uma vez, a cultura, a juventude e o espírito de festa que foram visados e atingidos. Como foram golpeadas a liberdade, a generosidade e a tolerância, todas as coisas às quais o festival e todos aqueles que o tornam possível – artistas, profissionais e espectadores – são profundamente ligados.
O Festival de Cannes convida assim a todos os seus participantes a dar testemunho de sua solidariedade em relação às vítimas, suas famílias e o povo britânico observando um minuto de silêncio nesta terça, 23 de maio, às 15h”.

Cannes não quer deixar a sala de cinema morrer

Por Neusa Barbosa em 10/05/2017
O acolhimento de dois filmes da plataforma Netflix na competição principal de Cannes – The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach, e Okja, de Bong Jooh-Ho - parecia celebrar o casamento perfeito entre o festival mais badalado do mundo e as novas formas de exibição e compartilhamento de imagens.
 
A relação azedou quando a plataforma bateu o pé e negou-se a lançar os dois filmes em salas de cinema na França – o que gerou um boato de que seriam retirados da competição, desmentido hoje pela assessoria de imprensa do festival. Os dois continuam, podem até ser premiados – se a coisa toda não gerar uma má vontade entre os jurados -, mas vai ficar por isso mesmo. O regulamento do festival foi mudado mas apenas para 2018 – sem lançamento em salas, nada de aproveitar o tapete vermelho da Riviera para pré-lançamento de filmes.
 
Não é coisa simples. Cannes, entrando na sua 70ª. edição, representa a indústria do cinema, especialmente o francês que, como todo mundo, não vê com bons olhos a concorrência ianque, ainda mais correndo em faixa própria. Todo mundo quer faturar um naco dos lucros e, na plataforma digital, só eles ganham. De repente, foi uma tardia e inesperada declaração de amor pela boa e velha sala de cinema, que Cannes não quer deixar morrer. Ainda bem.