Celulóide Digital

Réquiem para Ronit Elkabetz

Por Neusa Barbosa em 19/04/2016
Num ano que está se mostrando particularmente sinistro, inclusive em perdas de artistas, mais uma tristeza: morreu hoje, com apenas 51 anos, a extraordinária atriz israelense Ronit Elkabetz. Tinha apenas 51 anos e foi vítima de câncer.
 
Ronit estrelou e co-dirigiu (com seu irmão, Shlomi) um dos melhores filmes lançados no Brasil no ano passado, o drama O julgamento de Viviane Amsalem – que pode ser conferido, em DVD, TVs a cabo e outros meios.
Trata-se de um retrato contundente do pesadelo a que uma mulher é submetida em Israel apenas por querer divorciar-se, já que ali inexistem tribunais civis para isto. Ou seja, são juízes religiosos, ultraconservadores e machistas que comandam o espetáculo, tentando obrigar Viviane (Ronit) a simplesmente render-se e voltar a viver com o marido (Simon Abkarian), que malandramente lhe nega o divórcio.
 
Nada mais eloquente para ilustrar a inacreditável sobrevivência de um sistema incrivelmente arcaico e opressor, que reafirma o poder messiânico dos juízes, dos tribunais e dos costumes, quando se recusam a acompanhar o movimento do mundo, a pluralidade da realidade. Uma amostra, também, de como a lei e a religião, ainda mais em conjunto, funcionam como instrumentos de dominação. E o trabalho de Ronit é, no mínimo, dilacerante. Não percam.