Celulóide Digital

Saudades de Roger Ebert

Por Neusa Barbosa em 08/04/2013
O norte-americano Roger Ebert, que morreu há alguns dias, foi um dos melhores críticos de cinema do mundo. Ele tinha uma rara qualidade, de combinar comentários embasados em sua enorme experiência e olho clínico e, ao mesmo tempo, transmitir uma paixão de cinéfilo, de expectador.
 
Não é todo dia que nasce um crítico assim.
 
Até por vício profissional, depois de alguns anos na labuta, nos tornamos eventualmente um pouco pedantes, um pouco chatos.
 
Faz parte do ofício ser exigente. Mas é lamentável que tantos críticos percam sua intuição de plateia, deixando de entender, de sentir como é que um filme entra na pele, nas emoções de quem o assiste. Há críticos que se tornam impermeáveis, sob uma verdadeira casca de crocodilos.
 
Isso nunca aconteceu a Roger Ebert.
 
Suas críticas, no jornal Chicago Sun-Times, tinham sempre uma leveza, um sabor de conversa ao pé do ouvido, sem se tornaram banais, tatibitate. Um talento raro, sempre aperfeiçoado, e justamente premiado com um Pulitzer.
Ele trabalhou sempre no mesmo jornal, desde 1967. Também é por isso que não é fácil se encontrar críticos assim – porque eles não têm espaço nem liberdade nas publicações, nem duram tanto tempo no trabalho.
 
A imprensa, não só a cultural, está em crise. Precisa se reinventar urgentemente.