Celulóide Digital

Oswaldo Montenegro, o alegre menestrel autocrítico

Por Neusa Barbosa em 29/04/2010
Famoso menestrel das multidões, Oswaldo Montenegro é o tipo de artista que a crítica adora odiar. Eu mesma, que não sou crítica de música, só de cinema, confesso que abomino o tipo de canções que o tornaram famoso. O que dizer daquele corte de cabelo medonho, aquele cruzamento de look Pigmaleão dos anos 70 com bruxo Gandalf de O Senhor dos Aneis?
 
Agora, Montenegro ataca como cineasta, no musical Léo e Bia, exibido em primeira mão pelo Cine PE, o festival de Recife. O que me deu oportunidade de conhecê-lo ao vivo e descobrir, para minha surpresa, uma pessoa inteligente e simpaticíssima. Melhor ainda, com a autocrítica em dia.
 
No debate/entrevista coletiva do filme, Montenegro manifestou uma bela posição sobre a crítica – que ele sabe muito bem o quanto o apedreja, de norte a sul do País. Sem problemas, para ele, que diz que a crítica está no seu direito, afinal, é opinião. E não se furtou também a dar pedradas nos colegas artistas que ficam todos dodois quando um crítico espinafra o seu trabalho, como se estivesse xingando sua mãe.
 
Para Montenegro, os artistas têm que parar de se dar tanta importância. Ele mesmo se acha um “sortudo”, um “cagão”. E diz que os artistas são os “bobos da corte” e, se acharem alguém que goste do que fazem, é muita sorte. Nada melhor do que desfrutar disso e ir em frente, deixando os críticos em paz com seu trabalho.
 
O menestrel diz que até ele mesmo acha terríveis algumas músicas que fez – Histérica, por exemplo. De seu trabalho teatral, destaca A Lista como “um dos piores textos já escritos”. Que sorte que eu nem sei do que ele está falando, não conheço nada disso.
 
À parte esta saudável postura de não levar-se muito a sério, no bom sentido, o músico também toma o bom partido da alegria. Criticou esse vício de um “pessimismo europeu” que os brasileiros deram de adotar, para ele, especialmente a partir dos anos 80, deixando para trás os anos hippies, a paz, o amor, o desbunde e a esquerda festiva, que estão no centro do seu filme. Que pode não ser a melhor coisa do mundo, mas é sincero, ao menos.
 
Foto: Daniela Nader/Divulgação