Celulóide Digital

Saudade infinita de Eduardo Coutinho

Por Neusa Barbosa em 02/02/2014
Sensação de dor insuportável no cinema brasileiro: Eduardo Coutinho, 80 anos, morreu assassinado neste domingo. 
Estamos órfãos. Profundamente tristes, desolados, com uma sensação de perda irreparável, de lacuna impreenchível. Porque Coutinho era único, insubstituível e não deixa herdeiros. Nós, que o admirávamos, sempre nos preocupamos com seu invencível vício do cigarro, temendo que o perderíamos para um câncer. Em vez disso, se preparou uma tragédia como essa, entre quatro paredes, manchete de jornais. Tudo ao contrário da discrição que Coutinho, homem e cineasta, cultivou nesta vida.
Jornalista e documentarista rigoroso, ela pautou seu estilo pelo respeito ao entrevistado, pela recusa à exposição descabida, pela rejeição a qualquer tipo de exibicionismo ou esculacho.
Coutinho era uma avis rara, ainda que profundamente humano, sujeito às falhas de todos nós. Mas, como cineasta, atingiu uma altura que poucos podem sonhar alcançar.
O observador sensível da condição humana brasileira se calou para sempre. Não há consolo possível.
Que a herança de seus 22 filmes ilumine para sempre o céu do cinema brasileiro, como uma constelação capaz de nutrir outros talentos, que sonhem se irmanar à grandeza do dele. Saudade já começou e não tem jeito de passar.
 
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Nem bem fico sabendo da terrível notícia sobre o nosso maior documentarista, já se encaixa outra nota trágica: o ator Philip Seymour Hoffman foi encontrado morto. Aparente overdose. Mais uma perda terrível, de um dos maiores atores norte-americanos. Que domingo!!!