Celulóide Digital

Um Oscar sem surpresas, de novo

Por Neusa Barbosa em 28/02/2011
Não adiantou torcer por zebras – a festa do Oscar 2011 só rejuvenesceu na idade dos apresentadores, a gracinha Anne Hathaway (cada vez gosto mais dela, dentro ou fora das telas) e o distraído James Franco (que parecia pouco à vontade, com cara de "o que estou fazendo aqui?"). Foi tudo protocolar, inclusive os discursos de agradecimento aos pais, à mulher, ao marido, ao namorado, ao diretor. Especialmente a premiação que, como se esperava, consagrou o campeão de indicações O Discurso do Rei, de Tom Hooper, com quatro estatuetas, as que interessavam: melhor filme, diretor, ator e roteiro original.
 
Esnobado nas categorias principais, A Origem, de Christopher Nolan, empatou em número de prêmios, só que técnicos: fotografia, mixagem e edição de som e efeitos visuais (categoria em que era difícil perder! Nenhum filme este ano criou nada igual ao seu mundo de sonhos sobrepostos). O falado A Rede Social, de David Fincher, parou nos três troféus, roteiro adaptado, trilha sonora e montagem.
 
Pior foi Bravura Indômita – o faroeste dos irmãos Coen era o vice-campeão das indicações (10), mas não conquistou nenhuma, mesmo caso do miura Inverno da Alma, mas aí já se esperava mesmo, apesar da qualidade do filme (aliás, dos dois, Bravura é um belo trabalho).
 
Com dois Oscar cada um, empataram Toy Story 3 (animação e canção original), O Vencedor (que levou, como se esperava, os dois de coadjuvantes para Melissa Leo e Christian Bale) e Alice no País das Maravilhas (direção de arte e figurino, merecidíssimos).
 
E Natalie Portman, como até as pedras sabiam, levou para casa seu Oscar de melhor atriz pela interpretação visceral de Cisne Negro - o papel de sua vida e sua segunda indicação.
 
Nem mesmo uma modalidade que às vezes rende um azarão, filme estrangeiro, saiu do esperado: venceu mesmo o dinamarquês Em um mundo melhor, de Susanne Bier, que está para estrear no Brasil. Nos documentários, também deu o ótimo Trabalho Interno na cabeça – e a fala de seu diretor, Charles Ferguson, foi a mais politizada da noite, lembrando que a crise econômica mundial, tema de seu filme, aconteceu há três anos e, até agora, nenhum dos executivos que a causaram foi para a cadeia. É, impunidade não tem só deste lado do Equador. Acorda, Obama!
 
À parte a justa indignação de Ferguson, o melhor agradecimento da noite foi do bem-humorado veterano britânico David Seidler, vencedor do melhor roteiro original de O Discurso do Rei – que observou ser “a pessoa mais velha a ganhar este prêmio” (73 anos), que esperava que o “recorde fosse batido rápido” e agradecia à Rainha da Inglaterra por “não tê-lo colocado na Torre de Londres”.
 
A elogiar na cerimônia, que os números musicais foram bem enxugados e não houve grandes desastres de figurino. Também a aparição do veteraníssimo Kirk Douglas, brincando com todo mundo com sua bengala em riste e sendo aplaudido de pé, aliás, assim como Billy Crystal, um veterano recente da apresentação do Oscar. A homenagem a Lena Horne, justíssima, e com presença de Halle Berry, podia ser melhor (mais elaborada). Ufa, mas ainda bem que acabou. Hoje é dia de todos os jornalistas de cinema do mundo se arrastarem por aí com um soninho...

Torcendo por zebras no Oscar

Por Neusa Barbosa em 14/02/2011
Oscar chegando, assunto inevitável. Vamos lá!
 
Com as diversas premiações também se acumulando, o quadro fica mais nítido, aparentemente menos sujeito a surpresas.
 
Pouco se pode duvidar, a esta altura, da vitória de Colin Firth, Natalie Portman, Christian Bale e Melissa Leo como atores. Pelos prêmios recebidos no Sindicato de Atores dos EUA, especialmente. Os BAFTA também premiaram Firth e Natalie, reforçando a tendência.
 
Campeão de indicações no Oscar (além de grande vencedor do BAFTA), o filme britânico O Discurso do Rei, de Tom Hooper, é o grande favorito nas categorias melhor filme e diretor, por ter faturado nos sindicatos de produtores e diretores dos EUA, respectivamente.
 
Ainda assim, parece difícil imaginar que o vice-campeão das indicações, Bravura Indômita, de Joel e Ethan Coen, faça feio. Aliás, se há um competidor forte para Colin Firth, é mesmo Jeff Bridges, que incorpora um Rooster Cogburn de abalar John Wayne, excelente. Nas categorias técnicas, como fotografia (outro excelente trabalho de Roger Deakins), o filme dos Coen não deve ser esquecido.
 
Os Coen poderiam ser brindados com um Oscar de melhor direção? Por mérito, sim. Mas não seria surpresa que ele acabasse também nas mãos de David Fincher, surpreendente vencedor do BAFTA, por A rede social, um filme que, a meu ver, tem maior mérito na escolha do tema do que na forma como o radiografa.
 
A rede social também deve levar o Oscar de roteiro adaptado (Aaron Sorkin). E Christopher Nolan, o de roteiro original por A Origem – que foi esnobadíssimo nas indicações do ano.
 
Sonhar não custa e seria muito bom que a noite da premiação, dia 27, não fosse um tédio total, por se ter adivinhado previamente todos os vencedores. Eu, por exemplo, gostaria de ver algumas surpresas assim:
 
O Oscar de melhor filme ir para Bravura Indômita ou para o miúra Inverno da Alma, de Debra Granik.
 
O de melhor ator ir para Javier Bardem, por Biutiful (que também poderia vencer como melhor filme estrangeiro), e o de melhor atriz, para a jovem Jennifer Lawrence, que faz um trabalho de gente grande em Inverno da Alma. O mesmo se pode dizer da adolescente Hailee Steinfeld, que arrasa como atriz coadjuvante em Bravura Indômita – adoraria vê-la conquistar o prêmio! E também do azarão John Hawkes levar o seu de coadjuvante, pelo mesmo Inverno da Alma.
 
O roteiro adaptado também poderia ser vencido por Inverno da Alma. E o roteiro original, para o belo filme inglês Another Year, de Mike Leigh, que passou batido até do circuito dos festivais brasileiros, infelizmente.
 
Será que alguma zebra acontece?