Celulóide Digital

O Oscar nosso de cada ano

Por Neusa Barbosa em 13/01/2013
Ao olhar a lista dos indicados ao Oscar, todos os anos tenho a sensação de uma coisa aleatória. Afinal, cada votante vota no seu canto, manda pelo correio e acabou. Ninguém combina nenhuma lógica antes. É mais ou menos assim que a gente deve ler o resultado. Não buscando uma espécie de “justiça” o “injustiça”.
 
Então, nessa grande loteria que acompanhamos por força de ofício todos os anos, notamos as ausências que nos incomodam. Na categoria filme, por exemplo, não vejo como pode ter ficado de fora um trabalho poderoso como O Mestre – de quem foram lembrados, com justiça, os atores Philip Seymour Hoffman, Joaquin Phoenix e Amy Adams. Cairia muito bem uma indicação à direção de Paul Thomas Anderson, assim como a Wes Anderson pelo seu muito criativo Moonrise Kingdom (que ficou só no roteiro original).
 
Entre os atores, faz uma enorme falta o francês Jean-Paul Trintignant, protagonista do drama Amor, do austríaco Michael Haneke, surpreendentemente agraciado com cinco (merecidas) indicações. Como separar a interpretação visceral de Emmanuele Riva (indicada) da de Trintignant, seu par nesta história impactante sobre um casal de idosos?
 
Haneke, aliás, parece ter sido beneficiado por um daqueles muitos arrependimentos tardios dos votantes da Academia, que deixaram de premiar seu filme anterior, o ainda melhor A Fita Branca. Mas antes tarde do que nunca, tomara que o premiem desta vez.
 
Em boa hora ficou entre os indicados ao Oscar de filme estrangeiro o chileno No, de Pablo Larrain, esnobado em seus outros trabalhos que formaram esta madura trilogia sobre os anos Pinochet.  Adoraria que ele vencesse, embora não seja tradição da Academia premiar obras assim adultas (por isso, me parece, Haneke demorou tanto a ser reconhecido aí).
 
No setor de animações, Hollywood continua a ignorar solenemente o que se passa além de suas fronteiras, como as produções europeias e orientais.
 
É tempo também de falar dos superestimados e me parece ser esse o caso do até bom drama O lado bom da vida, de David O. Russell. Os atores são ótimos, mas me parece que teve um excesso de indicações (diretor, por exemplo). Em todo caso, foi bom ver aí o bom e velho Robert De Niro de novo num papel à altura de seu talento e de sua história. Faz tempo que isso não acontecia.